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Das montanhas verdes do Lodo das Jegas, que já trazem em si um ar mineiro, até suas andanças pelo Brasil a dentro, tudo o que por ele foi visto e sentido exaltam-lhe a alma e o levam à criação de sua música.

A família grande, a tia Zita, a escola de onde fugia, a descoberta do som e do violão criam o menino rebelde, liberto de raízes, curioso e dono de um talento raro. Do boi à vaquejada, da cachaça ao quentão, da farinha ao pirão, Mão Branca é um baú, onde a vida e o ar dos sertões se escondem para depois ressurgirem bem vivos em sua poesia.
Nas feiras, o povo circulando, gritando seus temperos. O circo, o teatro, as crianças, suas pipas e animais feitos dos ossos das vacas. Cavalos galopam no vale aberto, ao pé da serra. À caça a capivaras, tatus, pacas, o bodoque alcança o passarinho, a água corre rio abaixo. Onde será que vai dar?
Assentado na cidade, surgem novas influências. Amigos que trouxeram o gás e as pedras firmes que construíram seu alicerce. Com eles, parcerias e viagens, shows e manifestos pungentes, políticos. Grandes mestres, presentes e distantes, deram-lhe a cama, lavaram-lhe o lençol. Elomar Figueira de Melo o encaminhou pela cantoria; Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos e sua viagem sem volta pelo forró universal.

A televisão, musa mal amada, na qual ele veria o sangue de um novo mundo, não fosse a ganância de homens sem fé nos outros homens.

O rádio, casa que lhe ouvia falar aos quatro ventos e tocar as músicas que compõem seu extenso painel de histórias, brilhantes nas canções que fazem dele o forrozeiro que é atualmente.






